STIGPOA

Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias Gráficas de Porto Alegre

IN/consciência

Ainda andamos como passageiros em navios negreiros.

Jornada de trabalho de até doze horas para ganhar alguns cruzeiros.

Para os Pretos e as Pretas sobram os porões dos navios.

Ganharão a “liberdade/aposentadoria” aos 65 anos, não diferente da lei do sexagenário, a história se repete, e não se mete diz o senhor.

Em um País miscigenado como o Brasil o navio continua sendo dirigido pelo mesmo capitão há mais de 500 anos.
Nas escolas ainda ensinam que o Brasil foi descoberto pelos Portugueses, e que os Pretos/Pretas foram “libertos” pela lei áurea.

Quanto atraso, desinformação, falta de história e memória.

Em uma sociedade precária de educação e oportunidades os Pretos/Pretas sofrem preconceitos de todos os jeitos, até as cotas são olhadas com antipatia, clemencia, quanta falta de sapiência.

O racismo é estrutural, está nas entranhas da sociedade que teima em negar o inegável, quase sempre com o discurso de defesa que “não sou racista”.

Esse preconceito está presente no cotidiano, sendo infelizmente comum se ouvir que “meus filhos não correm o risco de casar com uma negra ou gay porque foram muito bem educados”. Perdão por descrever tal impropério, mas isso foi dito com essas palavras por um dito “ser humano”.

A alienação e ignorância é uma arma poderosa de suma importância usada pela classe dominante. Mais fácil dominar um ser ignorante, pois um pensante se torna muito exigente.

Ainda tem capitão do mato que pratica assassinato sonegando a ciência desde a infância, que falta de inteligência.

A casa grande (STF, CONGRESSO, TRIBUNAIS, ESTADO e MUNICÍPIOS), tem os mesmos donos, vossas excelências, os senhores saboreiam lagostas, caviar, salmão e vinhos, enquanto na senzala falta o essencial, dignidade, alimentação, saúde e educação.

Haja paciência para tanta falta de consciência.

Com veemência peço consciência de todas as formas. Para os trabalhadores, consciência de classe.
Aos Pretos/Pretas que tenhamos consciência para continuar lutando, estudando, buscando oportunidades dentro dessa sociedade tão desigual.

Que tenhamos consciência de que quando Pretos/Pretas estiverem em condições de igualdade no processo de educação, saúde, moradia, alimentação, e oportunidade, aí sim, poderemos alcançar os nossos objetivos como sujeitos ativos nesta sociedade, que hoje infelizmente continua estruturalmente racista, como há mais de 500 anos.

Francisco Lázaro Peixoto da Silva

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
×

Desenvolvido por XEMP DIGITAL

× Whats?