
O Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Porto alegre, fundado em 12 de maio de 1929, completa 93 anos de muitas lutas e resistência hoje. Não é pouca coisa, muitas pessoas deram seu suor, sangue e vida para estarmos hoje aqui. Vamos referenciar e homenagear aqueles que participaram intensamente imprimindo essa história desta histórica categoria, e mais do que isso, vamos ser sujeitos atuantes e participativos nesse processo de melhorar esta sociedade, em consciência, em solidariedade, educação e humanização.
Nesta sua longa existência, o Sindicato tem feito um enfrentamento árduo em defesa dos trabalhadores. Já passamos por ditaduras, por intervenção, todas elas de péssimas recordações, pois, as mesmas foram nefastas para os trabalhadores, para cultura, educação, e acima de tudo pelas retiradas de direitos, sobretudo em relação às liberdades de expressão, de movimentos estudantis e sindicais.
Nestes períodos escuros, onde impera a violência, a discriminação, desemprego, baixos salários, opressão, desigualdades, poucas oportunidades, e nenhuma expectativa de melhora para os trabalhadores, não temos nada a comemorar, senão agradecer a Deus por termos saúde para enfrentar a batalha do dia a dia.
As reformas trabalhista e previdenciária acabaram com os poucos direitos que os trabalhadores tinham, infelizmente isso será notado somente quando o trabalhador necessitar e buscar aquilo que já perdeu.
A reforma previdenciária foi um crime cometido contra os trabalhadores que já estavam inseridos no mercado de trabalho. O trabalho informal é a grande solução para o desgoverno. Mais trabalho e menos direitos. Os trabalhadores foram alijados do direito de aposentadoria, aposentar-se atualmente somente com mais de 60 anos de idade.
Estamos passando por um enfrentamento duro, com este desgoverno, que fez as reformas trabalhista e sindical que foram em desencontro com os interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O desgoverno implantou a terceirização, reformas trabalhista e previdenciária com o discurso de geração de emprego e de uma economia mais estável. Onde estão os empregos? E o preço da gasolina, gás, alimentação, água e luz.
O ministro da economia no início deste desgoverno, propalava aos ventos a implantação da previdência privada, usando como modelo a previdência do Chile. Bem, nós vimos como ficou o povo chileno e os benefícios dos mesmos, na miséria, e sem saúde. Importante salientar, que muitas empresas, graças a política liberal deste desgoverno fazem contratação de trabalhadores por algumas horas na semana, por 3 a 4 dias, sendo que esses contratados não possuem direito previdenciário, pois não atingem um salário mínimo, vão quebrar o sistema previdenciário.
Temos sidos resistentes, e sobreviventes, e isso não tem sido tarefa fácil, pois a reforma trabalhista e sindical impôs ao movimento sindicalista uma realidade talvez ainda não vivenciada, somando-se a isso o desemprego, baixos salários e um desgoverno que brada pela informalidade e menos direitos. Com certeza tempos difíceis.
Nestes períodos de grandes guerras, fake news, milícias, de igrejas pregando violência e uso de armas, a nossa resistência tem que ser aliada a planejamento, ações, com objetivos de sermos agentes transformadores atuantes em nossa sociedade, pois, existe uma casta que se consideram dominadores e se sub julgam acima de nós e da lei.
Um país não pode dar certo com a classe política e da justiça recebendo salários de R$ 40.000,00, e mais mordomias, enquanto o salário mínimo é de R$ 1.212,00, quando temos 14 milhões de desempregados, analfabetos, miseráveis, com esses não tendo acesso as políticas públicas de extrema necessidade, como educação, saúde e segurança.
Nós brasileiros de hoje deveríamos nos espelhar naqueles que nos antecederam, e buscar as ruas sem violência, para demonstrar que o poder emana do povo e não da classe privilegiada que ocupa os três poderes, que ganham salários astronômicos, com todo o tipo de mordomias que o povo não tem. E quem paga as viagens, apartamentos, automóveis, plano de saúde, e refeições, com lagostas e vinhos caros desses privilegiados? É o povo. Que vergonha. E nós, paralisamos, e aceitamos pacificamente todos esses descalabros.
O caos esta bem perto de nós, e temos que reagir com ações positivas. A nossa força de trabalho é desrespeitada todos os dias. Não aceitar os desmandos dos políticos e da justiça é nossa tarefa, pois, não podemos mais nos portar como cordeiros a mando do capital. Resistência, luta, indignação e sensibilidade é o que esta faltando à sociedade de forma geral.
Nesses 93 anos, teremos que resistir e bradar, e não aceitar o desmonte do Estado em prol do capital financeiro. Não ao cardápio desrespeitoso do STF pago pelos trabalhadores. Não as mordomias dos governantes de forma geral.
É tempo de renovar nossas esperanças, de gritar por uma sociedade justa e igualitária, e se isso não for suficiente, podemos em 2 de outubro limpar o Congresso Nacional, e o Executivo, escolhendo homens e mulheres, negras e negros, brancos e brancas, índios e índias, e todos os tipos de diversidades existentes em nossa sociedade para bem representar o Povo brasileiro.
Temos uma ferramenta muito importante a cada quatro anos que é o voto, e escolher de fato quem vai nos representar nos parlamentos, atendendo nossos anseios, é tarefa que ainda temos que exercitar, aprender, e jamais abdicar desse direito, pois, somos nós que escolhemos os governantes ou desgovernantes, e quando optamos por pessoas que não nos representam, essa responsabilidade é nossa.
Armas não, livros sim.
A Diretoria



